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Farofa de Noronha por Eduardo Almeida Reis

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Iguaria feita de farinha de mandioca frita na manteiga ou na gordura, que pode ser enriquecida com outros ingredientes, a farofa entrou em nosso idioma no fim do século 19 e é de etimologia controvertida, possivelmente do quimbundo falofa, abonada pelo Aurélio e pelo Sacconi, mas questionada pelo Houaiss.

Pausa para explicar que a internet nos deixa preguiçosos. Tenho um ror de livros de história citando o judeu Fernão de Loronha, convertido ao catolicismo por força das circunstâncias, hoje conhecido como Fernando de Noronha, um dos primeiros empreiteiros de nossa história.

Ex-empreiteirinho, microempreiteiro ou nanoempreteiro, sei que não há nada no Brasil que não tenha sido feito, desde sempre, pelos empreiteiros. Loronha, natural das Astúrias, foi rico empreendedor, comerciante e armador, representando o banqueiro Jakob Fugger na Península Ibérica. Em 1503, obteve da Coroa de Portugal autorização para explorar o pau-brasil, vendido em Lisboa com lucro de 400% a 500%.

E o negócio vai por aí, enquanto meu objetivo é falar da “Farofa de Noronha”, prato diabólico que Alice trouxe do Arquipélago de Fernando de Noronha, quando lá esteve em lua de mel com seu marido Vicente Assis, festejando mais de 30 anos de casamento.

Alice é a prova de que o fogão industrial e o teclado de computador têm mais em comum do que possa imaginar nossa vã filosofia. Tenho escrito que tudo que a gente faz com amor não é trabalho, não é sacrifício e acaba dando certo. Pois foi justamente o que escreveu Alice, no livro de receitas lançado no dia em que seu restaurante festejou 20 anos: ela cozinha com amor, daí o sucesso do belo-horizontino Couve-Flor, que mantém em seus quadros muitos dos empregados que ajudaram a inaugurar a casa.

Fonte: Jornal Estado de Minas, 05 de maio de 2011. Caderno Gerais, Coluna "Tiro e Queda" de Eduardo Almeida Reis.

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